quarta-feira, 3 de junho de 2015

O PAI DO BIODIESEL, UM ENGENHEIRO QUÍMICO

(Texto enviado pela Representante Beta EQ, Raisa Helena Sant'Ana Cesar)

O biodiesel é um combustível biodegradável originado de fontes renováveis e que foi criado a fim de substituir o diesel de petróleo em carros, ônibus, caminhões e motores de máquinas que geram energia. O uso do biodiesel contribui para redução dos gases do efeito estufa e de outros nocivos à saúde humana. A primeira patente de produção mundial do combustível é do engenheiro químico brasileiro Expedito José de Sá Parente (1940-2011), graduado em 1965 pela Escola Nacional de Química da então Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro).


Era mestre em Ciências da Engenharia Química pela COPPE – Coordenaçãodos Programas de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em Tecnologia de Óleos Vegetais e em Engenharia de Óleos Vegetais pelo Instituto de Óleos do Ministério da Agricultura, além de especialista em Tecnologia de Couros pela École Français e de Tannerie, em Lyon.

No início dos anos 70 Expedito se dedicava a pesquisas relacionadas à produção de álcool como maneira alternativa ao uso de gasolina em meio a crise internacional da produção de petróleo. Entretanto, apesar dos avanços de sua pesquisa, Expedido concluiu que o uso do álcool é limitado aos veículos de passeio, o que não seria suficiente para diminuir a dependência nacional pelo óleo negro.

A ideia da criação do combustível que viria a substituir o diesel de petróleo surgiu de maneira inusitada pelo engenheiro químico. Expedido descansava em um sítio em 1977 quando ao observar o fruto ingá, vislumbrou a fórmula do biodiesel. Na semana seguinte, Expedito, então professor da Universidade Federal do Ceará, desenvolveu o óleo vegetal pela reação química entre álcool e o óleo extraído de algodão. Essa reação, conhecida como transesterificação, deu origem ao então conhecido Biodiesel.

"O processo de transesterificação é conhecido há muitos anos. O que eu patenteei foi a produção de ésteres para o uso como combustível em motores do ciclo diesel, o que é inteiramente diferente do que fez Rodolfo Diesel", esclareceu Expedido Patente, citando o criador dos motores diesel. "Quando Diesel rodou pela primeira vez com seu motor, usou como combustível o óleo de amendoim, mas movido a óleo vegetal in natura", acrescenta. “Os motores modernos não poderiam rodar por um tempo prolongado usando um óleo vegetal nas condições testadas por Diesel.” [3]

Após várias pesquisas e testes sistemáticos nos veículos que faziam manutenção de linha da Companhia de Eletricidade do Ceará (Coelce), o pedido de patente para produção de biodiesel a partir de ésteres vegetais ocorreu em agosto de 1980, sendo homologada apenas em 1983. Em 1980 houve o lançamento do biodiesel em Fortaleza, onde estavam presentes o vice-presidente do Brasil, ministros, outras autoridades políticas e empresários.

Apesar do projeto inovador, não houve investimentos na produção de biodiesel na época pelo governo brasileiro devido à prioridade de produção de etanol no período. Nesta mesma época, se alguma patente não fosse utilizada comercialmente em um período de dez anos ela entraria em domínio público, o que ocorreu com a patente do biocombustível. Devido a isso, em 1991 alemães e austríacos iniciaram a produção de biodiesel a partir das pesquisas de Expedido Parente. No Brasil, somente no início dos anos 2000 o assunto ganhou novamente força por motivações populares.

Além do biodiesel, Expedido avançou em pesquisas de bioquerosene voltado para a aviação, em um acordo com o Ministério da Aeronáutica. Em 1984 um avião bandeirante da Embraer voou de São José dos Campos até Brasília abastecido com óleo feito de babuaçu. No final de 2005, Expedido foi convidado pela Organização para o Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas (Unido) para participar de um encontro na China, onde ganhou o diploma InternationalCelebrityon Technology da Unido, com o trabalho "ReflexionsonLipofuels: Biodiesel and Bioquerosene". Pouco tempo depois, a Boeing e a Nasa o procuram para participar de um seminário em Seattle (EUA), na sede da Boeing. Foi feito então um convênio com a empresa para testes do bioquerosene. [3]

Em 2001 Expedido criou e presidiu a empresa Tecbio (Tecnologias Bioenergéticas Ltda.) para dar sequência, no âmbito empresarial, aos trabalhos sobre biocombustíveis e seus entornos. Além disso, o engenheiro químico também foi diretor-presidente da Tecnoforma, empresa metalúrgica que fabrica equipamentos e sistemas de produção de biodiesel; diretor-presidenteda EBB - Empresa Brasileira de Bioenergia, fabricante de derivados da glicerina, subproduto importante dos sistemas de produção de biodiesel; e diretor-presidente do Instituto Consciência, uma organização dedicada a questões sociaise ambientais.

Expedido faleceu em 13 de setembro de 2011 aos 70 anos devido a complicações em uma cirurgia para tratar de uma diverticulite. Apesar de seu falecimento, o engenheiro químico ainda é lembrado como o “Pai do Biodiesel”, sendo que suas pesquisas e investimentos na área ainda permanecem.


Referências


1.      F. Lima; B. Reis; J.V. Cavalcante, “O pioneiro do biodiesel,” FCPC MÍDIA, número 6, pp.14-18 (2012).
3.      “Titular da primeira patente brasileira no tema, de 1983, conta como chegou  tecnologia; "Governo nãoo enxergou oportunidade", afirma”, http://www.inova.unicamp.br/inovacao/report/entre-expedito.php (2007)
4.      “Pesquisador cearense criou a fórmula do biodiesel há mais de 30 anos”, http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2010/10/pesquisador-cearense-criou-a-formula-do-biodiesel-ha-mais-de-30-anos (2010)
5.      “Benefícios ambientais da produção e do uso do biodiesel”, www.agricultura.gov.br/arq_editor/relatorio_biodiesel.pdf (2013)
6.      “FCPC MÍDIA”, www.fcpc.ufc.br/fcpcmidia/fcpcmidia06/files/revista-6.pdf (2012)

Nenhum comentário:

Postar um comentário