terça-feira, 9 de junho de 2015

ROMPENDO BARREIRAS: MULHERES NA ENGENHARIA QUÍMICA

(Texto enviado pelo Representante Beta EQ, Michell Gleison Sáles Cardoso)

Foi-se o tempo em que Engenharia era profissão de homem. O perfil dos cursos nessa área mudou muito nos últimos anos, com o aumento da presença feminina. Território quase que exclusivamente masculino durante muitas décadas, a carreira em Engenharia Química assiste hoje a evolução crescente da participação das mulheres nos empregos e nas salas de aulas dos cursos superiores.

No entanto, vale ressaltar que mesmo disposta a pagar altos salários, a indústria química exige atualmente alto grau de qualificação dos profissionais da área. Nesse cenário, enfrentar a concorrência com os colegas homens já deixou de ser um problema para as novas engenheiras, dispostas a conciliar a carreira profissional com a rotina familiar e enfrentar em pé de igualdade os desafios impostos pela profissão, que inclui constante atualização e boa parte da vida dedicada ao estudo e à pesquisa, além dos desafios corporativos impostos pela concorrência nos tempos atuais.

A despeito da ausência de dados sistematizados, um levantamento realizado pela professora Maria Rosa Lombardi, pesquisadora do Departamento de Pesquisas Educacionais da Fundação Carlos Chagas, detectou que no campo das engenharias, a Engenharia Química mostrou-se como uma das formações mais permeáveis à participação feminina. Apesar de na esfera dos empregos a participação das mulheres engenheiras ter evoluído menos (em torno de 14%) do lado da formação, porém, durante toda a década de 1990 e nos primeiros anos do novo milênio, de uma forma geral, esta vem crescendo lenta e continuamente.

Outro exemplo que reafirma a inclusão da engenharia no rol de possibilidades profissionais das mulheres vem da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. No espaço de 40 anos, entre 1950 e 1989, formaram-se 536 engenheiras e somente nos anos 1990, formaram-se 764 (Facciotti, Samara, 2004). Ressalte-se o aí peso da química nos empregos femininos: (6,2%), quase o dobro daquele que assume nos masculinos (3,7%), conforme Lombardi, (2005).

Apesar de não existirem diferenças gritantes de gênero, é fato que a mulher, muitas vezes ainda precisa lutar pelo seu espaço, tendo que dar conta de diferentes atribuições, sem comprometer a qualidade de nenhuma dessas tarefas.

Segundo a Engenheira Química Raquel Bouer: “Infelizmente, as mulheres engenheiras sofrem o mesmo dilema de mulheres em outros setores, com raras exceções. Ainda existem diferenças e geralmente as mulheres têm que ser mais qualificadas para receber o mesmo salário que um homem ocupando a mesma posição. Mas, esse cenário está mudando rapidamente. Cada vez menos se atribui essas diferenças estritamente ao sexo, mas algumas características geralmente atribuídas às mulheres, como ser flexível, detalhista, multiprofissional e gerenciar por consenso, estão mais presentes na forma como as mulheres lidam com seus projetos do que os homens”.



Representante da novíssima geração de futuras Engenheiras Químicas, a atriz e estudante Bianca Salgueiro, 21, que interpretou a personagem Carol na novela Fina Estampa, escolheu essa profissão atraída pelo mercado de trabalho promissor e o imenso campo de pesquisas que se descortina no Brasil. Bianca foi a primeira colocada geral do vestibular da UERJ de 2012, tendo obtido aprovação destacada também nos vestibulares da PUC/RJ, UFF e UFRJ.

Em meio à rotina diária de aulas do cursinho, simulados e o trabalho de memorização dos textos e construção da personagem da novela, Bianca dedicava tempo aos estudos, entre um intervalo e outro das gravações, até que finalmente viu seu esforço ser recompensado. “No primeiro semestre ainda conseguia reservar o domingo para descansar”, conta. “No entanto, com a proximidade das provas, não me dei mais folga nem no final de semana”, relembra.

Em sua opinião, o que explica a maior procura das meninas de sua geração pela Engenharia Química é o imenso campo de pesquisa ainda a ser explorado, além da possibilidade de salários superiores, até mesmo aos demais ramos das engenharias. “Além disso, as mulheres estão rompendo a batalha do preconceito e se fazem mais presentes, não só na Engenharia Química, mas em todas as demais profissões”.

Outra vantagem, que para ela influenciou bastante na escolha da opção pela Engenharia Química, é que, por dispor de perfil mais delicado, a mulher tem mais facilidade em realizar experimentos em laboratório, tendo em vista a precisão necessária para manipular os compostos químicos e suas quantidades estequiométricas.


Outro exemplo de superação é a Engenheira Química Maria das Graças Silva Foster, primeira mulher a ocupar a presidência da estatal petrolífera brasileira, ela está à frente de uma diretoria executiva composta por sete homens, numa empresa com operações fincadas em 28 países, empresa de 81 mil profissionais, controla 16 refinarias, tem estado na lista dos maiores faturamentos e lucro líquido entre as companhias brasileiras e é reconhecida como a 5ª maior empresa de energia do mundo.


Diante dos exemplos citados acima, pode-se dizer que a mulher em geral é mais paciente, mais habilidosa, tem a mão mais leve para lidar com os reagentes, pipetas, buretas e outras vidrarias, típicas dos laboratórios de química inorgânica e orgânica, além de outros diversos fatores que são competentes das mulheres da Engenharia Química.


            www.daniellecarla.blogspot.com.br

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